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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Necessidades especiais

O processo eleitoral ainda não terminou. Foi concluído apenas nas cidades em que não têm segundo turno, devido ao número de eleitores, e nos municípios com mais de 200 mil votantes nos quais um dos candidatos não conquistou a maioria dos sufrágios.
Até aí, nada de novo. O que me impressionou nessas eleições foram algumas dificuldades encontradas por eleitores na hora em que foram às urnas para depositar seus votos. Como se sabe, a lei brasileira dispensa a obrigatoriedade de votar às pessoas com mais de 70 anos. Algo justo. Muita gente madura, convive com problemas de saúde, algumas com problemas de locomoção e outros impedimentos conhecidos que precisam ser respeitados. Só que não residem apenas nessa faixa etária os percalços reais.
Enquanto delegado partidário para a verificação da normalidade do pleito de cinco de outubro, circulei por algumas zonas eleitorais. Em alguns momentos, a função me obrigou a ficar mais tempo em clubes ou escolas onde havias diversas seções. Em períodos não maiores do que meia hora, um grande número de eleitores, homens, mulheres, jovens e adultos, todos com idades inferiores aos 70 anos, reclamavam nos momentos anteriores ao ato cidadão de sufragar o voto. As queixas, invariavelmente, relacionaram-se à necessidade de ter de subir escadas para ir votar. Eram pessoas derramadas, gente que se locomovia em cadeira de rodas, doentes pulmonares e outras tantas doenças que restringem fisicamente a circulação normal.
Evidente que delegados e fiscais partidários ajudavam a quem quer que fosse. Entendo apenas que isto não basta. Parece-me ter chegado o momento, com dúvidas se não está tarde, dos cartórios e tribunais eleitorais olharem com mais atenção a essas pessoas. Num mundo contemporâneo em que o respeito aos portadores de necessidades especiais recebe tratamentos redobrados e diferenciados, devem as nossas autoridades ter considerações específicas para facilitar a vida de todo o cidadão. Compreende-se a existência de outros elementos na administração do processo eleitoral, como a questão de privacidade e segurança, mas urge comportamentos multifuncionais a quem requer um apoio distinto e digno.

Um comentário:

Lucas Rohãn disse...

Pois é, professor.
Se o voto não fosse uma obrigação, esse seria um problema a menos... e alguns eleitores a menos também...